A promessa feita em alto e bom som durante a campanha eleitoral se revelou uma farsa embalada em discurso populista. O prefeito de Cuiabá, Abílio Brunini (PL), que garantiu extinguir de forma definitiva a famigerada taxa de lixo, agora admite que a cobrança continuará — mas concentrada sobre os ombros de condomínios, empresas e restaurantes. O que era para ser uma política de alívio para todos os cuiabanos virou uma injustiça seletiva: um grupo paga, o resto usufrui.
A denúncia foi feita com firmeza pelo vereador Jeferson Siqueira (PSD), que classificou a medida como uma “manobra disfarçada” para enganar a população. E ele tem razão. Ao invés de acabar com a taxa, como prometido, Abílio apenas a reformulou — retirando-a da maioria da população e transferindo a conta para setores que já sofrem com a alta carga tributária e os serviços públicos precários.
Mais grave do que isso é o cenário de estelionato eleitoral que se desenha. O prefeito fez da promessa de extinguir a taxa um dos principais pilares de sua campanha. Disse, sem rodeios, que a prefeitura tinha condições financeiras de bancar sozinha a coleta de lixo. Agora, contradiz tudo o que pregou, e impõe a cobrança justamente sobre quem mais contribui para a economia da cidade — uma inversão de justiça tributária e uma afronta à boa-fé do eleitor.
O argumento de que os chamados “grandes geradores de lixo” devem continuar pagando pelo serviço é uma justificativa rasa, que escancara o despreparo da gestão. Em vez de buscar um modelo mais justo e transparente de financiamento da limpeza urbana, o prefeito prefere penalizar segmentos estratégicos da sociedade.
Condomínios residenciais, que já pagam taxas altíssimas para manter serviços básicos dentro dos muros, agora terão que bancar também a coleta pública. Restaurantes e empresas, já sufocados por custos operacionais, enfrentarão mais um ônus injustificável. Tudo isso para que o prefeito possa, de forma leviana, dizer que cumpriu sua promessa de campanha.
A verdade é uma só: a taxa de lixo não acabou — ela mudou de endereço. E a conta, mais uma vez, vai parar no colo de quem trabalha, produz e gera emprego. Os cuiabanos não podem aceitar essa farsa travestida de gestão. É hora de dar um basta a esse tipo de política enganosa e exigir respeito, transparência e compromisso real com a cidade.
Cuiabá merece mais que propaganda. Merece verdade.


