A Justiça de Mato Grosso deu uma aula de humanidade ao garantir a um servidor público, pai de uma criança com Transtorno do Espectro Autista (TEA) e outras graves enfermidades, o direito à redução de 50% da jornada de trabalho sem prejuízo salarial. A decisão veio depois que o governo do estado revogou, sem justificativa, o regime de teletrabalho que permitia ao pai acompanhar terapias e cuidados essenciais do filho — um menino de 12 anos com TEA, Síndrome do X-Frágil, epilepsia, imunodeficiência, TDAH, diabetes tipo Mody e deficiência intelectual severa. Diante da postura omissa do Estado, que sequer apresentou contestação no prazo legal, o juiz Eviner Valério reconheceu a gravidade do quadro e a dependência integral da criança, atendendo ao pedido do servidor.
Ações como essa expõem um lado desumano da gestão estadual: ao invés de garantir condições dignas a servidores que cuidam de filhos com necessidades especiais, o governo tentou retirar direitos e dificultar o cotidiano de uma família que enfrenta uma rotina exaustiva de cuidados, terapias e acompanhamento médico constante. A Justiça reparou essa injustiça, mas o episódio evidencia o abismo entre o discurso institucional e a prática administrativa. Enquanto se investe pesado em propaganda para construir uma imagem de gestão sensível e moderna, na vida real pais que lutam pela sobrevivência e dignidade de seus filhos encontram portas fechadas — e precisam recorrer aos tribunais para obter o mínimo: humanidade.
Fonte: Metrópoles


