A linha tênue entre o interesse público e o capricho privado parece ter sido rompida em Mato Grosso. No último dia 05 de dezembro de 2024, uma operação logística que mobilizou a estrutura do Estado foi montada para que uma bolsa da grife Christian Dior — item de luxo avaliado em cerca de R$ 27 mil reais — chegasse às mãos da ex-primeira-dama, Virgínia Mendes, em São Paulo. O acessório, esquecido em Cuiabá, foi levado por um Cabo da Polícia Militar, escalado pelo Coronel Turbino para viajar de avião com a única missão de entregar o objeto a tempo de uma exposição privada de joias da designer Cris Porto.
Informações obtidas por fontes próximas à logística indicam que a justificativa para a “operação de guerra” seria a presença de medicamentos dentro da bolsa. Contudo, o argumento levanta questionamentos sobre a razoabilidade e a economicidade do ato: seria necessário deslocar um policial militar e custear passagens aéreas de última hora para transportar remédios que, em tese, poderiam ser adquiridos em qualquer farmácia da capital paulista? A discrepância entre o custo da operação e a finalidade alegada reforça a tese de desvio de finalidade.
Documentos, áudios e prints em posse desta reportagem — que estarão anexados à matéria — revelam os detalhes da operação. Os registros mostram a governanta da Residência Oficial (RO), conhecida como Net, coordenando a logística com o Coronel Turbino. Enquanto isso, a assessora Michelli, da UNAF, estaria em São Paulo realizando a cobertura do evento privado com diárias supostamente pagas pelo erário. A situação levanta um questionamento urgente sobre quem responderá por indícios de improbidade administrativa: em um estado que amarga índices alarmantes de feminicídio e sofre com o déficit de contingente policial, é aceitável que um oficial da PM seja desviado de suas funções para atuar como estafeta de luxo para agendas sem qualquer vínculo com o Governo de Mato Grosso?


