Em mais uma encenação pública, o governador Mauro Mendes apareceu nesta segunda-feira (8) no canteiro de obras do Hospital Central de Cuiabá, acompanhado por uma comitiva de deputados, na tentativa de vender otimismo sobre uma obra que se arrasta há cinco anos. Com promessas de que “faltam poucas semanas” para a entrega, o governador mais uma vez apostou em propaganda, e não em prestação de serviços reais à população. O que deveria ser um compromisso com a saúde pública tornou-se palco de encenação política, marcada por visitas ensaiadas, publicidade institucional milionária e nenhuma previsão concreta de funcionamento da unidade.
A “milésima visita” ao hospital ocorre dias após Mauro Mendes protagonizar um gesto polêmico na Avenida Paulista, durante ato bolsonarista em defesa da anistia aos golpistas do 8 de janeiro. O braço erguido em ângulo de 45°, a palma da mão esticada para baixo e os gritos por “família, pátria e liberdade” foram interpretados por muitos como uma referência direta a regimes totalitários do século XX. A nova aparição pública, agora cercada de deputados e câmeras, soa como uma tentativa clara de desviar o foco da repercussão negativa do episódio e apagar a memória recente do gesto alinhado à extrema-direita.
Enquanto isso, a população mato-grossense segue à mercê de promessas. Se não fosse pelo HMC, construído na gestão do ex-prefeito Emanuel Pinheiro, Cuiabá teria enfrentado o colapso total da saúde durante a pandemia. Mauro Mendes, por sua vez, não entrega o Hospital Central porque prefere empurrar o ônus da manutenção para seu vice, Otaviano Pivetta, que pretende lançar ao governo em 2026, quando ele deve renunciar para disputar uma vaga no Senado. O que se vê, na prática, é um governo que prefere investir em obras de elite, como o Parque Novo Mato Grosso — um apartheid social feito com dinheiro público — do que concluir e operacionalizar estruturas fundamentais à saúde do povo.


