Enquanto o secretário de Limpeza Pública de Cuiabá, Wellaton, aposta em ações de alto engajamento nas redes sociais, como a chamada “guerra das sandálias havaianas”, a realidade enfrentada pela população segue bem distante da narrativa virtual. Em bairros de diferentes regiões da capital, o que se vê são ruas sujas, acúmulo de resíduos, falhas na coleta e ausência de um padrão mínimo de zeladoria urbana compatível com o que se espera de uma capital estadual.
A crítica não é à comunicação em si, mas à inversão de prioridades. A limpeza urbana é um serviço essencial, que exige planejamento, metas públicas, fiscalização de contratos e indicadores objetivos de desempenho. Quando o marketing passa a ocupar mais espaço do que a entrega concreta, a gestão corre o risco de transformar problema estrutural em espetáculo simbólico. Cuiabá precisa menos de disputa estética nas redes e mais de eficiência administrativa, transparência nos contratos e resultados visíveis nas ruas — porque lixo não se resolve com engajamento, se resolve com gestão.


