Enquanto o governo Bolsonaro vendia a imagem de defensor da moral, da família e dos bons costumes, nos bastidores liberava um verdadeiro banquete fiscal para o mundo dos jogos online. Segundo denúncia feita pelo Ministro da Fazenda, Fernando Haddad, o Brasil deixou de arrecadar nada menos que R$ 40 bilhões em impostos das chamadas bets — casas de apostas virtuais — durante os quatro anos da gestão passada.
“Tem encabimento? Um governo que diz que é pela família, abrir mão de R$ 40 bilhões de tributo de jogo e deixar de corrigir a tabela do imposto de renda, deixar de corrigir o salário mínimo?”, indignou-se Haddad. Não foi um erro técnico, foi uma escolha política — e o resultado está nas redes sociais: milhões que deveriam reforçar a saúde, educação e segurança pública acabaram alimentando a ostentação de influencers, luxos de empresários e o mundo já bilionário dos jogos eletrônicos.
Em vez de proteger a população, o governo Bolsonaro escolheu blindar esse mercado. A farra das bets foi bancada por um Estado que, ao mesmo tempo, negava reajustes dignos para o salário mínimo e penalizava os mais pobres. Um retrato perverso do Brasil que se dizia conservador, mas patrocinava o jogo — e o luxo — com dinheiro que deveria estar no caixa público.


