Declarações do ex-prefeito de Campo Novo dos Parecis, Rafael Machado, confirmando sua pré-candidatura a deputado estadual pelo Podemos trouxeram à tona um movimento mais amplo nos bastidores da sucessão estadual de 2026. Segundo ele, o atual vice-governador Otaviano Pivetta desponta como nome escolhido para disputar o governo, enquanto o governador Mauro Mendes deverá concorrer ao Senado tendo o empresário Cidinho Santos como primeiro suplente. A composição, que vem sendo articulada por lideranças do agronegócio, reforça a estratégia de continuidade do atual bloco de poder que comanda o Estado desde 2019.
O que mais chama atenção, porém, é a informação de que esse desenho político teria sido consolidado em reuniões de grandes empresários do setor agroexportador realizadas em Camboriú, Santa Catarina. O encontro, registrado pela imprensa, reuniu figuras influentes do agronegócio nacional para discutir cenários eleitorais de 2026. O fato de decisões estratégicas sobre o futuro político de Mato Grosso serem encaminhadas fora do estado levanta questionamentos sobre o grau de participação popular no processo e alimenta críticas de que um seleto grupo econômico estaria antecipando a definição das chapas majoritárias.
A presença de Cidinho Santos na articulação amplia esse debate. Ex-senador e atualmente ligado à administração da Nova Rota do Oeste — concessionária responsável por trecho estratégico da BR-163 —, Cidinho é reconhecido como um dos principais operadores políticos do agronegócio em Mato Grosso e em Brasília. Sua entrada como suplente na chapa ao Senado é interpretada por analistas como sinal de que o setor busca garantir influência direta nas decisões nacionais, sobretudo em temas regulatórios, ambientais e de infraestrutura logística.
O arranjo Pivetta–Mauro–Cidinho representa, na prática, a consolidação de um projeto político alinhado aos interesses do grande capital agroindustrial, que sustenta o discurso de eficiência fiscal e expansão de concessões públicas. O desafio colocado para o debate eleitoral é se essa continuidade atende ao conjunto da sociedade mato-grossense ou se aprofunda a concentração de poder político nas mãos de poucos grupos econômicos.


