Durante o chamado “Encontro dos Bilionários da Soja”, realizado em Camboriú (SC), em ambiente de alto luxo, o leiloeiro Maurício Tonhá, conhecido como Maurição, atuou como mestre de cerimônias do evento comandado pelo empresário Eraí Maggi. No microfone, Maurição afirmou ser “muito bom ouvir o governador Mauro Mendes em um ambiente seleto” e citou o vice-governador Otaviano Pivetta como o nome que representaria a continuidade do atual projeto político em Mato Grosso. O encontro reuniu grandes empresários do agronegócio em espaço privado, fora do estado e sem qualquer caráter institucional público.
A cena expõe o grau de influência do poder econômico na política estadual. Quando a sucessão governamental é sinalizada em reuniões fechadas de bilionários, longe do território e da população mato-grossense, a democracia corre o risco de virar mera formalidade eleitoral. O agronegócio é essencial à economia do estado e seus empresários merecem respeito, mas o futuro político de Mato Grosso não pode ser tratado como pauta de reunião corporativa. O governo pertence ao povo — não a ambientes seletos.


