Após duas décadas de uma espera angustiante que escancara a lentidão do judiciário, o advogado Aroldo Fernandes da Luz, o “Aroldão”, finalmente enfrenta o banco dos réus nesta quinta-feira (23) em Cuiabá. O réu é acusado de um crime de covardia extrema ocorrido em 2005, quando espancou brutalmente sua então namorada com socos e chutes, mesmo após ela estar caída e indefesa. Não satisfeito com a agressão, o advogado abandonou a mulher em estado crítico à beira de uma rodovia, acreditando que ela morreria devido ao traumatismo craniano e às múltiplas lesões que a deixaram em coma e exigiram reconstrução facial.
O julgamento pelo Tribunal do Júri ocorre sob forte pressão social e representa um teste crucial para a efetividade da justiça em casos de violência contra a mulher, especialmente por envolver um operador do Direito que utilizou de razão fútil para desfigurar a vítima. O processo, que sobreviveu até a um incêndio suspeito em uma delegacia que destruiu parte dos autos, chega ao fim com o Ministério Público sustentando a tese de tentativa de homicídio qualificado. Para a sociedade e para a vítima, que carrega sequelas permanentes há 21 anos, a condenação de “Aroldão” é vista como a única resposta possível para um ato de barbárie que tentou ser silenciado pelo tempo.


