Enquanto militantes da direita radical encenam indignação performática ao rasgar, queimar e descartar sandálias Havaianas por enxergarem “mensagens comunistas” num comercial protagonizado por Fernanda Torres, a realidade do mercado global passa por cima do chilique local. Antes mesmo do mês do Orgulho, a Apple apresentou a coleção Orgulho 2025, com pulseira do Apple Watch, mostrador e wallpapers celebrando a diversidade LGBTQ+. Tudo oficial, global e assumido — sem pedir licença à histeria ideológica.
Aqui cabe o desafio que expõe a incoerência: jogar sandália no lixo é fácil; quero ver jogar iPhone fora. Se o critério é “boicotar marcas com pauta progressista”, a lógica exige coerência até o fim — cortar o iPad com tesoura, tacar fogo no Apple Watch, abandonar o ecossistema que banca a vida digital de quem grita contra “a esquerda”. Não vai acontecer. Porque, no fundo, o boicote é seletivo, performático e confortável — serve para vídeos nas redes, não para renúncias reais. O mercado global já escolheu seu lado: diversidade vende, inclusão comunica, e a gritaria doméstica fica pequena diante disso.


