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Deputado invoca cristianismo para criticar Carnaval, mas Constituição define que o Brasil é um Estado laico e festa em 2026 reúne 65 milhões de brasileiros

A declaração do deputado estadual Thiago Silva, ao afirmar que se posiciona “como cristão” contra o financiamento público do Carnaval, reacende o debate sobre os limites entre fé pessoal e representação pública. A Constituição estabelece que o Brasil é um Estado laico, ou seja, o poder público não pode agir com base em uma religião específica nem falar em nome de todos os fiéis. Em um país com mais de 200 milhões de habitantes e ampla maioria que se declara cristã, nenhum agente político possui autoridade para afirmar que sua posição individual representa “os cristãos”, até porque a própria sociedade cristã é diversa em opiniões, práticas culturais e visões sobre políticas públicas.

O próprio tamanho do Carnaval evidencia essa pluralidade: estimativas apontam cerca de 65 milhões de brasileiros participando das festividades pelo país, entre eles milhões de pessoas que também se identificam como cristãs. Isso demonstra que a discussão não é religiosa, mas de escolha administrativa e prioridade orçamentária, campo em que o deputado pode — e deve — se manifestar como parlamentar. Transformar uma posição política em suposta representação da fé coletiva ignora a realidade de um Brasil múltiplo, onde cultura, religiosidade e vida pública convivem de forma simultânea e sem tutela de um único discurso.

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