Anunciado em janeiro como símbolo da modernidade administrativa, o cachorro robô de R$ 2.000.000,00 prometia revolucionar a limpeza das bocas de lobo e dar fim aos alagamentos de Cuiabá. O marketing foi alto, a expectativa também. O resultado, porém, foi inversamente proporcional: o robô sumiu do noticiário, da prática e da memória recente da prefeitura, enquanto os alagamentos não apenas continuaram como ficaram mais frequentes e mais graves.
Sem o robô milagroso e sem um plano estrutural de drenagem e manutenção urbana, o prefeito Abílio Brunini passou a adotar uma solução bem mais barata — e previsível: terceirizar a culpa. Agora, o responsável oficial pela sujeira e pelas enchentes seria o comércio local. A ironia é inevitável: Cuiabá trocou política pública por narrativa, gestão por desculpa e tecnologia por retórica. A cidade segue debaixo d’água, enquanto a única coisa que realmente desapareceu foi a promessa de eficiência.


