Uma denúncia encaminhada ao Ministério Público de Mato Grosso (MPMT) e revelada pela imprensa aponta possíveis irregularidades na utilização de um programa estadual de recompensa por produtividade dentro da Polícia Militar. Conforme a apuração, uma tenente-coronel da corporação, que também atua na área de Inteligência de um Comando Regional, teria determinado a inclusão de seu nome e de outros oficiais em boletim de ocorrência do qual não participaram, com a finalidade de viabilizar o recebimento de valores que, somados, chegariam a cerca de R$ 50 mil.
Segundo os relatos apresentados, a ocorrência foi registrada em dezembro de 2025, em data na qual a oficial não estaria de serviço. Policiais que efetivamente atenderam a ação teriam tido seus nomes retirados do registro, e a ordem teria sido cumprida por receio hierárquico. A denúncia também sustenta que houve solicitação para que outro oficial formalizasse participação posteriormente, quando a ocorrência já estava praticamente concluída. Procurada, a Polícia Militar informou não ter se manifestado até a última atualização da reportagem, permanecendo aberto o espaço para Eesclarecimentos oficiais.
Em conversas reservadas com o blog, uma fonte interna afirmou que o modelo de produtividade pode gerar distorções operacionais. “Temos muitos PMs que trabalham na parte administrativa. Além disso, temos ocorrências comuns que são obrigação da função, e essa lei pode fazer com que policiais passem a buscar ocorrências que tenham retorno financeiro”, declarou. A mesma fonte ponderou que a política surgiu com o objetivo de valorização salarial e equiparação remuneratória, mas reconheceu que o formato atual pode abrir margem para questionamentos.
Especialistas em gestão pública e controle da atividade policial defendem que programas de bonificação por desempenho exigem critérios objetivos, transparência e auditoria permanente para evitar o chamado “efeito incentivo perverso”, quando a lógica da recompensa financeira passa a interferir na natureza do serviço público. Até o momento, os fatos relatados ainda dependem de apuração formal para confirmação ou descarte de irregularidades.


