Na manhã desta sexta-feira (26), uma denúncia grave sacudiu Cuiabá e colocou o Bem-Estar Animal municipal, órgão que deveria ser referência em cuidado e proteção, no centro de uma controvérsia séria e preocupante.
Uma protetora de animais registrou imagens de um cachorro extremamente magro e visivelmente debilitado, abandonado na área verde do próprio Bem-Estar Animal de Cuiabá, sem atendimento veterinário adequado, sem tratamento e sem qualquer sinal de cuidado imediato. O local é o mesmo que deveria garantir dignidade e proteção aos animais sob tutela do poder público.
A situação se agravou quando a diretora do Bem-Estar Animal, Morgana Ens, acionou a Polícia Militar alegando que a protetora teria invadido o local. No entanto, ao chegar, a viatura constatou que não houve invasão. O portão estava aberto, as imagens foram feitas do lado de fora e a protetora permaneceu nas dependências externas do Centro de Zoonoses. Funcionários presentes confirmaram essas informações aos policiais.
Diante dos fatos, ficou claro que não houve crime por parte da denunciante. Houve uma denúncia fundamentada em imagens e em uma situação evidente de sofrimento animal.
Enquanto isso, a questão central permanece sem resposta: por que um animal em estado crítico estava sem assistência dentro de um órgão público? Quem é o responsável por essa omissão? Que providências imediatas foram adotadas para garantir atendimento e salvar a vida desse cachorro?
O caso acende um alerta grave. Quando um órgão fiscalizador passa a ser alvo de denúncia por maus-tratos, a situação deixa de ser pontual e passa a ser estrutural. Tentar constranger ou intimidar quem denuncia não resolve o problema e apenas reforça a necessidade de transparência e responsabilidade.
Cuiabá precisa de respostas, providências urgentes e respeito real à causa animal. Maus-tratos não se combatem com acusações contra quem denuncia, mas com gestão, fiscalização eficiente e cuidado efetivo com a vida.


