Conhecido no passado por se apresentar como fiscal implacável da política, promovendo investigações, denúncias e espetacularização de suspeitas contra adversários, o prefeito Abílio Brunini hoje adota postura oposta diante de um caso grave envolvendo seu homem de confiança. Acusado de assédio sexual e moral por uma servidora, em episódio ocorrido no sétimo andar da Prefeitura, em sala vizinha ao gabinete do prefeito, o então chefe de gabinete e atual ex-secretário do Trabalho, William Campos, foi denunciado por meio de boletim de ocorrência e pediu exoneração após a repercussão do caso. Mesmo diante da gravidade dos relatos, Abílio passou a agir nos bastidores para evitar que o episódio seja apurado por meio de uma CPI.
Nos últimos dias, o prefeito se envolveu diretamente em articulações na Câmara Municipal para viabilizar a abertura simultânea de três comissões, atingindo o limite máximo permitido e, na prática, impedindo a instalação da CPI específica sobre o caso. Vereadores defendem que, além do assédio, sejam investigadas possíveis relações financeiras citadas pela denunciante, envolvendo repasses por meio de um veículo de comunicação. A postura defensiva contrasta com o discurso combativo do passado e reforça, para parte da sociedade, a impressão de medo e desespero diante do risco de que a investigação alcance não apenas o ex-chefe de gabinete, mas também estruturas da própria gestão.


