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Da Ignorância à Arrogância: Abílio Tenta Redefinir a Direita Sem Conhecer a História de Júlio e Jayme Campos, Símbolos da Direita Ideológica Coerente — e Não Radical — de Mato Grosso

Artigo

Por vezes, a política mato-grossense, rica em personagens densos e trajetórias consistentes, se vê obrigada a lidar com figuras cuja relevância se pauta mais na viralização de vídeos do que na substância das ideias. Abílio, atual prefeito de Cuiabá, ex-deputado federal e ex-vereador da capital, parece ter confundido o exercício do poder público com a performance de um influenciador digital — uma espécie de “lacrador de stories” cuja principal ferramenta política é o “reels” e a indignação teatralizada. A superficialidade tornou-se sua doutrina.

Na prática, Abílio é um caso raro de alguém que ascendeu politicamente sem jamais ter apresentado um pensamento político minimamente consistente. Seu capital não é ideológico, é performático. Sua convicção não vem da leitura, mas da lacração. E sua visão de mundo, infelizmente para Cuiabá, é rasa como um tweet mal escrito.

Recentemente, o prefeito decidiu pôr em dúvida a coerência ideológica dos irmãos Campos, Jayme e Júlio, dois dos nomes mais importantes da história política de Mato Grosso. Abílio, com sua costumeira arrogância ignorante, tentou ensinar política a quem a pratica desde quando ele sequer era nascido. E como já é habitual, tropeçou nas próprias palavras.

Vamos aos fatos — esse recurso antiquado, mas ainda necessário. Júlio Campos, em 1985, então governador pelo PDS, foi o único do partido a manter o apoio a Paulo Maluf no colégio eleitoral que elegeu Tancredo Neves. Um ato que, goste-se ou não, representou a mais absoluta coerência ideológica. Enquanto muitos abandonavam o barco por conveniência, Júlio permaneceu fiel à sua convicção conservadora. E seu irmão Jayme seguiu o mesmo caminho, com uma trajetória pública que jamais flertou com o oportunismo partidário ou com discursos de ocasião.

Abílio, por outro lado, iniciou sua vida política como vereador eleito pelo PSC, partido que à época integrava a base de apoio dos governos Lula e Dilma. Sim, aquele PSC que compunha a aliança lulopetista, de onde saíram ministros, líderes e operadores. O mesmo Abílio que hoje se fantasia de “conservador raiz” foi parido pela máquina política que ele diz combater. Detalhe: ele nunca explicou esse pequeno desvio ideológico, talvez por desconhecimento, talvez por conveniência. Talvez por ambos.

Para piorar, Abílio fala em “coerência ideológica” sem compreender o que isso significa. Medeiros, aliado seu, foi do PPS — partido de centro-esquerda. Mauro Mendes, de quem já buscou apoio, veio do PSB, também no campo progressista. E o próprio Abílio construiu sua carreira política com base em alianças volúveis, pautadas mais pelo cálculo eleitoral do que por qualquer fidelidade doutrinária. A verdade é que ele é um moralista de ocasião, que usa palavras como “fé”, “família” e “direita” como disfarce para uma completa ausência de projeto.

Enquanto isso, Júlio e Jayme Campos seguem onde sempre estiveram: na trincheira da direita mato-grossense, com coerência, clareza e trajetória. Discorde-se ou não deles, ninguém pode negar a firmeza de sua posição histórica — algo que falta por completo ao atual prefeito de Cuiabá, que parece mais empenhado em criar polêmicas vazias do que em governar com responsabilidade.

A política exige preparo, leitura e visão. Abílio parece ter escolhido o caminho da encenação, da infantilização do debate e da ignorância como método. E pior: com a presunção de quem acha que saber editar um vídeo é o mesmo que saber liderar uma cidade.

Cuiabá merece mais que isso. Mato Grosso também.

Abílio, cala a boca, sai do Instagram e comece a trabalhar.

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