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Cruzamento entre Operações Sisamnes e Seven volta à cena em denúncia sobre advogado de José Pupin

Uma manifestação apresentada pela Agrimaque Peças Agrícolas Ltda. à 1ª Vara Cível de Campo Verde reacendeu suspeitas sobre o entorno jurídico do empresário José Pupin, conhecido por litígios de grande repercussão no agronegócio.

O documento cita o advogado Eumar Roberto Novacki, que defende Pupin, e aponta que ele teria, ao mesmo tempo, representado um credor do próprio grupo em outra ação, conduta que, segundo a denunciante, caracteriza patrocínio infiel e tergiversação.

A petição faz referência direta à Operação Sisamnes, que apura tráfico de influência e venda de decisões judiciais em Mato Grosso, e afirma que “padrões de atuação semelhantes” voltam a aparecer em disputas empresariais de alto valor.

De acordo com o texto, a menção à operação “não é fortuita”, mas um paralelo com práticas de favorecimento que teriam se perpetuado “em novas formas e com os mesmos protagonistas”.

“A teia de relações entre empresários, advogados e agentes públicos revelada na Sisamnes ainda ecoa nos tribunais. Personagens antes investigados ou citados reaparecem agora em processos milionários, repetindo velhas estratégias”, descreve a manifestação.

A empresa argumenta que o cenário atual evidencia uma “confusão ética” no processo de recuperação judicial de Pupin, onde advogados ligados entre si teriam atuado tanto em nome do devedor quanto de credores.
Entre os nomes citados, além de Eumar Novacki, está a advogada Renata Barcaro, sua ex-sócia e pessoa de confiança, que também assinou peças jurídicas vinculadas ao grupo.

A ligação profissional entre os dois, segundo o credor, reforça o padrão de comportamento que a Sisamnes tentou expor. Renata Barcaro foi chefe de titulação do Instituto de Terras de Mato Grosso (Intermat) entre 2010 e 2015, durante a gestão de Afonso Dalberto, preso e delator na Operação Seven, que desvendou fraudes milionárias em desapropriações e compras de terras públicas. Para a Agrimaque, esse vínculo funcional “aproxima os atuais atores de núcleos já identificados em esquemas de influência e favorecimento no passado”.

“Não se trata de coincidência que personagens já mencionados em investigações de tráfico de influência, como as que emergiram na Operação Sisamnes, voltem a figurar em processos de elevado interesse econômico, conduzindo estratégias paralelas entre credores e devedores”, sustenta o documento.

A denúncia sustenta que Novacki representou a Agropecuária Araguari Ltda., credora extraconcursal do grupo Pupin, em execução baseada em distrato contratual que previa a entrega de 70 mil sacas de soja, ao mesmo tempo em que passou a defender o próprio Pupin na recuperação judicial.
Para a Agrimaque, isso demonstra controle paralelo da defesa e da cobrança, criando “um circuito fechado de decisões favoráveis” ao devedor.

O credor pede que o juiz determine a intimação de Novacki e Barcaro para prestarem esclarecimentos e que sejam acionados o Ministério Público e a OAB-MT para investigar possíveis infrações éticas e criminais. Também solicita a decretação da falência do grupo, alegando que o processo “está contaminado por vícios éticos e jurídicos irreparáveis”.

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