A aprovação, nesta semana, de uma Comissão Parlamentar de Inquérito na Assembleia Legislativa de Mato Grosso para investigar a gestão da saúde estadual e a chamada Operação Espelho se soma a um conjunto de pressões políticas já existentes sobre o Palácio Paiaguás. O fato novo ocorre em meio às denúncias relacionadas ao acordo firmado entre o Governo do Estado e a Oi, no valor de R$ 308 milhões, que, segundo o ex-governador Pedro Taques, teria gerado suspeitas sobre o destino dos recursos, envolvendo, supostamente, o empresário Luiz Antônio Taveira Mendes, conhecido como Luizinho, filho do governador Mauro Mendes e da primeira-dama Virgínia Mendes, além de fundos ligados a Cidinho Santos, presidente da Nova Rota do Oeste, aos fundos de Helinho, sócio de Luizinho e genro de Maurinho, e também aos recursos vinculados a Berinho, pai do secretário Fabinho Garcia, todos citados nas denúncias.
Nos bastidores da política estadual, cresce a avaliação de que a combinação entre a CPI da Saúde e o desgaste provocado pelo acordo com a Oi pode dificultar a estratégia de renúncia ao cargo para disputar o Senado em 2026. Aliados avaliam que, diante da instabilidade, Mauro Mendes pode ser levado a permanecer no cargo até o fim do mandato, em 31 de dezembro, para preservar maioria na Assembleia, reduzir tensões internas e tentar administrar os efeitos políticos e jurídicos das investigações em curso. O cenário reforça a percepção de que o governador enfrenta, simultaneamente, desafios administrativos, jurídicos e de governabilidade que podem redefinir seu futuro eleitoral.


