O Parque Novo Mato Grosso nasceu como símbolo de grandiosidade governamental. Um empreendimento bilionário erguido com dinheiro público em área valorizada do agronegócio, entregue para administração privada e apresentado como novo cartão-postal do Estado. Mas sua estreia popular, ao sediar a tradicional Corrida de Reis, revelou um império ainda em obras — e já marcado por fissuras. A prova, retirada das ruas de Cuiabá, encontrou calor extremo, atrasos, falta de estrutura, logística confusa e ausência do público que sempre fez da corrida uma festa urbana. O resultado foi um evento que expôs mais concreto quente do que integração social.
Nos bastidores, corredores ironizaram: a Corrida de Reis ganhou nova roupagem — virou a corrida do Rei. Não mais o percurso democrático das avenidas, mas o circuito fechado do novo “reino” do governador Mauro Mendes, inaugurando seu parque monumental enquanto se aproxima do fim do mandato. Um reino que nasce cercado por bilionários do agronegócio, mas distante do povo que financiou a obra. A estreia que deveria consagrar o projeto acabou deixando uma mensagem involuntária: impérios que ignoram quem os sustenta começam a ruir antes mesmo de ficarem prontos.


