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Contradição institucional: caso do secretário acusado de violência doméstica expõe o colapso da política de proteção às mulheres em Mato Grosso

O processo que envolve o secretário de Segurança Pública de Mato Grosso, Cesar Augusto de Camargo Roveri, transcende a esfera individual e atinge o núcleo ético da administração pública. O fato de um gestor responder a uma ação penal amparada pela Lei Maria da Penha enquanto ocupa o principal cargo de comando da segurança estadual cria uma contradição institucional grave. A denúncia, mantida sob segredo de Justiça, impõe ao governo de Mauro Mendes o desafio moral de demonstrar coerência entre o discurso de combate à violência e a prática dentro de sua própria estrutura.

Os números oficiais do Ministério da Justiça revelam que Mato Grosso figura entre os estados com mais casos de feminicídio no país, refletindo o enfraquecimento das políticas públicas voltadas à proteção da mulher. O silêncio do governo diante de denúncias dessa natureza reforça a percepção de que o enfrentamento à violência de gênero permanece superficial — limitado a campanhas e declarações. Quando o poder público se cala diante de uma acusação dessa gravidade, o recado que chega à sociedade é perigoso: a lei é firme com os vulneráveis, mas indulgente com os poderosos.

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