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Com aliados assim, a prefeita Flávia Moretti dispensa oposição

A política, como arte de conciliar interesses e construir consensos, exige mais do que entusiasmo eleitoral — requer maturidade institucional. A prefeita de Várzea Grande, Flávia Moretti (PL), recém-empossada após vencer um pleito difícil contra o ex-prefeito Kalil Baracat, enfrenta hoje um desgaste precoce, não por ações da oposição, mas pela impaciência de alguns de seus próprios aliados.

É compreensível que, após o calor das urnas, os que contribuíram para a vitória esperem participação ativa no processo de governo. No entanto, é preciso distinguir apoio político de ingerência prematura. Governar requer tempo, estratégia e ponderação. A pressão desproporcional dos aliados não apenas compromete a estabilidade da gestão, como enfraquece o projeto coletivo que os levou à vitória.

Não conheço pessoalmente a prefeita Flávia Moretti, tampouco me apresento como seu defensor. Mas é impossível ignorar que muitos dos que hoje a criticam com veemência são os mesmos que estiveram ao seu lado nos palanques. Que tipo de contribuição se oferece a um governo nascente com cobranças públicas e desgaste interno? A lealdade política também se expressa na capacidade de compreender o tempo da governança e de respeitar as etapas naturais de uma administração que ainda está em fase de organização.

Se os aliados da prefeita não forem capazes de oferecer respaldo sereno e construtivo neste momento inicial, a oposição sequer precisará fazer esforço para minar o governo. Cabe, portanto, uma reflexão sincera: qual é o verdadeiro papel de quem ajudou a eleger? Apoiar é também saber esperar, compreender e contribuir com responsabilidade.

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