O episódio na Aedic expôs mais do que um conflito pontual: revelou a pobreza do debate público quando protagonistas confundem cargo com temperamento. O prefeito Abílio Brunini, fiel ao roteiro que já se tornou previsível, desviou o foco, elevou o tom e substituiu argumentos por ataques. A consequência é conhecida: discussão interrompida, ambiente contaminado e nenhuma resposta objetiva sobre política tributária, impactos econômicos ou alternativas técnicas. Esse comportamento não é acidente — é método. Método raso, performático e ineficiente.
Do outro lado, a empresária e suplente de senadora Margareth Buzetti também falhou. Ao abandonar o debate diante da pressão, confirmou um problema igualmente grave: falta de controle emocional e incapacidade de sustentar publicamente as próprias posições quando confrontada. Isso pesa ainda mais porque se trata de alguém que ajudou a construir o setor produtivo e conhece os números. A crítica aqui é direta: quem pede menos impostos fora do governo, mas apoia aumento quando assume função pública, trai o eleitor e o contribuinte — seja de terno ou de saia. A diferença entre ambos não é de conteúdo, é de figurino.
O saldo político é negativo para os dois. Ambos prometeram racionalidade fiscal e entregaram aumento de carga; ambos pregaram diálogo e recorreram a chilique; ambos contribuíram para empobrecer o espaço público. A “safra” moldada pela lógica das redes — mais ruído que razão — começa a perder impacto. O mundo cobra maturidade: dados, argumentos e responsabilidade. Quem não acompanha, fica para trás.


