O colapso da segurança pública em Mato Grosso atinge novo patamar com o pedido de exoneração de André Fernandes Ferreira, adjunto da Administração Penitenciária e rosto escolhido pelo governo como símbolo da política de “tolerância zero” ao crime. Sua saída, motivada por reiteradas interferências políticas, escancara o fracasso de uma estratégia que prometia endurecimento contra o crime organizado, mas que naufraga diante da realidade de caos nas unidades prisionais e do crescimento vertiginoso das facções. Ao renunciar, André denuncia a falta de autonomia para atuar com rigor técnico e alerta para a desestruturação da gestão penitenciária.
Enquanto isso, a população vive sob tensão constante, refém da violência e da ausência de respostas efetivas do poder público. O governo Mauro Mendes, que optou por transformar segurança em peça de marketing, vê ruir a retórica da força diante da prática da omissão e da ingerência. A debandada de quadros estratégicos, como o próprio André, evidencia um Estado fragilizado, onde prevalece o interesse político sobre o dever de proteger o cidadão.


