Em entrevista contundente na Assembleia Legislativa, o deputado estadual Eduardo Botelho expôs a contradição estrutural do discurso do governo Mauro Mendes, que sustenta nomeações “técnicas” para justificar a condução de secretarias estratégicas como Saúde e Educação. Segundo Botelho, o fato de pelo menos seis secretários articularem candidaturas para 2026 revela que essas pastas jamais foram ocupadas por técnicos de fato, mas por políticos disfarçados, que usaram o cargo como trampolim eleitoral.
Com serenidade, mas visivelmente incomodado, o parlamentar desmontou o que classificou como uma “farsa institucionalizada”: “Vamos parar de dizer que é secretaria técnica. Se o secretário vai disputar eleição, então é político. Isso é o óbvio”, afirmou. Para ele, o governo vestiu seus aliados com a fantasia da competência técnica para blindar escolhas essencialmente políticas, esvaziando o debate sobre mérito e comprometimento público.
A crítica ganha relevo diante da postura do próprio governador Mauro Mendes, que reiteradamente rejeita o fisiologismo partidário, mas, na prática, entrega cargos de alto impacto social a pretensos técnicos que, ao fim, se lançam ao jogo eleitoral. Na avaliação de Botelho, a presença de “secretários-candidatos” revela um projeto de poder contínuo, onde o serviço público é instrumentalizado como vitrine eleitoral.
Ao chamar o jogo político pelo nome, Botelho obriga o Executivo a prestar contas da coerência entre discurso e prática. Sua fala ressoa como alerta: ou o governo assume que governa com aliados políticos, ou para de usar o manto técnico como escudo moral. A credibilidade do serviço público não pode seguir sendo moeda de troca no balcão da ambição eleitoral.


