A Prefeitura de Cuiabá encerrou o primeiro semestre de 2025 sob um cenário de alerta vermelho nas contas públicas. Após iniciar o mandato com um polêmico decreto de calamidade financeira — sem apresentação técnica que o fundamentasse — o prefeito Abílio Brunini adotou medidas que aprofundaram o desequilíbrio fiscal do município. Aumentou a folha de pagamento em duas ocasiões, elevando o número de cargos comissionados em evidente movimento de cooptação política, celebrou contratos vultosos em áreas como obras, educação e limpeza urbana, e autorizou aluguéis de prédios a valores questionáveis. Tudo isso enquanto revogava a taxa de coleta de lixo, retirando uma importante fonte de receita recorrente.
Com a entrada extraordinária do IPTU já exaurida no primeiro semestre e a perspectiva de queda no FPM — agravada pela devolução de parcelas do Imposto de Renda — o segundo semestre projeta-se sombrio. A ausência de um ajuste fiscal minimamente responsável compromete a sustentabilidade das obrigações orçamentárias e sinaliza um risco crescente de colapso financeiro. De um ponto de vista técnico, o quadro atual não é apenas de má gestão, mas de uma irresponsabilidade fiscal que poderá comprometer a capacidade operacional do município até o final do exercício.


