No balanço em que jurou solenemente que não houve operações policiais durante sua gestão, o prefeito Abílio Brunini cometeu um deslize básico: esqueceu um fato público, documentado e ocorrido neste mesmo ano. A Operação Contraprova, deflagrada pela Polícia Civil em 2025, investigou fraudes graves em exames laboratoriais na área da saúde — setor diretamente vinculado à estrutura administrativa do município.
Convém esclarecer, para evitar malabarismos retóricos: ninguém está dizendo que a operação aconteceu “agora”, nem atribuindo responsabilidade penal ao prefeito. O ponto é mais simples — e mais incômodo. Ela aconteceu em 2025, dentro do mandato, e foi convenientemente apagada do discurso oficial. Quando um gestor faz balanço e escolhe ignorar um episódio policial relevante, não está resumindo a gestão; está editando a realidade.
A ironia é inevitável: enquanto o prefeito faz pose de gestão imaculada, os registros policiais fazem o papel ingrato de lembrar que a história não se apaga com coletiva. Fatos não pedem licença para discursos — constam em autos, notas oficiais e reportagens. E, nesse caso, não é a crítica que desmente o prefeito. É a cronologia.


