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Até o autódromo de Interlagos sobrevive de dinheiro público para não fechar.

Os autódromos brasileiros, palcos de velocidade, emoção e marketing milionário, vivem uma realidade bem menos glamourosa fora das pistas: a maioria é deficitária e só se mantém graças a aportes do poder público. Nem mesmo o mítico Autódromo de Interlagos, em São Paulo — sede da Fórmula 1 e orgulho nacional — escapa dessa dependência. Entre reformas, contrapartidas e isenções, a conta de manter as corridas de pé continua recaindo sobre o bolso do contribuinte.

A capital paulista, por exemplo, já injetou mais de R$ 127 milhões em dinheiro público desde 2021 apenas para garantir o contrato com a Fórmula 1 até 2030. O impacto econômico é relevante — estima-se que o GP movimente R$ 2 bilhões na economia local a cada edição —, mas o lucro direto vai para a iniciativa privada, enquanto o setor público arca com os custos estruturais e operacionais do autódromo.

Essa dependência não é exclusividade paulistana. Em Brasília, o autódromo Nelson Piquet está fechado há mais de uma década, desde que uma reforma mal executada interrompeu as atividades. Agora, o Governo do Distrito Federal pretende investir R$ 41 milhões dos cofres públicos para concluir a obra e tentar trazer de volta categorias como Stock Car e Fórmula 4. No Paraná, Santa Catarina, Goiás, Minas Gerais e Ceará, a situação se repete: manutenção cara, uso esporádico, baixa receita e alto custo público.

A exceção à regra são os autódromos privados, como o Velo Città, em Mogi Guaçu (SP), que operam com uma lógica mais restrita, focando em eventos corporativos, lançamentos de carros de luxo e track days. Mesmo assim, não abrem os portões para o grande público, o que limita seu impacto esportivo e social.

Enquanto os carros voam nas curvas e as arquibancadas vibram com a adrenalina das provas, o modelo de financiamento dos autódromos brasileiros patina. A paixão pelo automobilismo continua viva, mas ela vem sendo alimentada — silenciosamente — com o dinheiro de todos. A pergunta que ecoa nos bastidores é: quantos milhões vale uma corrida por ano?

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