Depois de mais de seis anos entre assinatura de contrato, paralisações e promessas reiteradas, o governador Mauro Mendes finalmente inaugurou a obra do Hospital Central de Cuiabá — um movimento político que chama atenção pelo timing. A entrega ocorre praticamente no apagar das luzes do mandato, a menos de 100 dias do prazo legal para renúncia, o que reforça a leitura de que o governo concentrou a finalização da obra para capitalizar eleitoralmente uma possível candidatura ao Senado. O atraso prolongado contrasta com a urgência histórica da saúde pública no estado e expõe uma estratégia de vitrine, não de política contínua.
É preciso lembrar que a retomada do Hospital Central não nasceu neste governo. A iniciativa de recuperar o antigo esqueleto abandonado por cerca de 30 anos partiu do ex-governador Pedro Taques, que estruturou os primeiros passos administrativos e técnicos para viabilizar o projeto. Ao herdar essa agenda, Mauro Mendes teve tempo político e institucional para acelerar a entrega, mas optou por um cronograma que empurrou a inauguração para o fim do mandato. O resultado é um símbolo ambíguo: uma obra necessária, sim — mas usada como peça de despedida eleitoral, depois de anos de espera da população.


