Nos bastidores da sucessão estadual, a fala recente do prefeito de Cuiabá, Abílio Brunini, contra a possibilidade de Lucimar Campos compor como vice na chapa de Wellington Fagundes repercutiu menos pelo conteúdo e mais pela contradição que carrega. Ao atacar o que chamou de “acordo sem identidade de direita”, Abílio omite que ele próprio buscou, meses atrás, viabilizar sua esposa, a vereadora Samanta do Abílio, como vice-governadora na eventual chapa de Otaviano Pivetta. Ou seja: o prefeito condena nos outros exatamente o movimento que tentou realizar dentro de casa — não em torno de um projeto programático para Mato Grosso, mas na tentativa de acomodar sua própria família em posição estratégica de poder.
A articulação não prosperou. Comentários recorrentes nos círculos políticos indicam que o grupo do governo avaliou que a presença direta de Abílio na chapa mais atrapalharia do que ajudaria, diante do desgaste crescente de sua gestão na capital. Com isso, o nome de Samanta foi retirado da mesa para manter aberta a busca por perfis considerados politicamente mais leves. O episódio reforça a percepção de que, para o prefeito, o discurso da “nova política” frequentemente termina onde começa o interesse doméstico — enquanto Cuiabá segue à espera das soluções concretas prometidas na campanha.


