O presidente da Associação Mato-grossense dos Municípios (AMM), Leonardo Bortolin, ex-prefeito de Primavera do Leste, tem mostrado que sua ambição política não conhece limites. Enquanto bajula publicamente a deputada Janaína Riva com frases de efeito — como a de que “a Assembleia Legislativa ficou pequena para ela” —, nos bastidores age para afastar qualquer possível concorrente à cadeira da deputada em 2026. Seu verdadeiro interesse não é a vitória de Janaína ao Senado, mas sim abrir espaço para ocupar sua vaga de deputado estadual.
Bortolin carrega a fama de ser ingrato politicamente. Foi erguido na cena pública pelo ex-deputado estadual Luizinho Magalhães, de quem acabou virando as costas quando lhe convinha. Agora, repete a velha prática: tenta minar a possível candidatura de Jéssica Riva, irmã de Janaína e herdeira natural do espólio político da família. O presidente da AMM espalha a versão de que, se Jéssica disputar a Assembleia, deputados estaduais abandonariam o projeto de Janaína rumo ao Senado — uma narrativa criada por ele mesmo para afastar concorrência e manter o caminho livre para sua própria ambição.
A verdade é que Jéssica Riva tem todo direito de se candidatar, assim como qualquer integrante de uma das famílias mais tradicionais da política mato-grossense. O que incomoda Bortolin não é a viabilidade do projeto de Janaína, mas a sombra da irmã, que pode frustrar sua corrida pessoal ao poder. Ao invés de queimar a candidatura de Jéssica, talvez fosse mais digno que o presidente da AMM se voltasse ao povo, já que sua presença é notada quase sempre em rodas da elite econômica, longe da base popular que deveria representar.


