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Adjunto da Limpurb e parente de Abílio é acusado de espancar ex-namorada com enforcamento, empurrões, rosto desfigurado e uso de arma para intimidação

O empresário Carlos Ivan Rastelli de Oliveira, atual secretário-adjunto da Limpurb e parente do prefeito de Cuiabá, Abílio Brunini, foi acusado formalmente por sua ex-namorada, Glenda Pereira Garcia Pizzatto, de uma série de violências físicas, psicológicas, morais e patrimoniais. O caso foi registrado no dia 29 de abril de 2022 no Plantão de Atendimento à Vítima de Violência Doméstica e Sexual da Polícia Civil, após um histórico de quase quatro anos de relacionamento marcado por abusos e agressões. Glenda relatou que está abalada emocionalmente, com sua saúde mental profundamente afetada e teme pela própria vida.

Segundo o boletim de ocorrência e os documentos oficiais assinados pela vítima e pela autoridade policial, Carlos Ivan teria praticado atos violentos como empurrões, enforcamentos, agressões verbais e físicas recorrentes. Em um dos episódios, a vítima acordou em um hospital com o rosto completamente lesionado — boca cortada, dois dentes quebrados, hematomas no queixo e olho esquerdo — sem qualquer lembrança do que teria acontecido, após uma discussão em que tomavam vinho em casa. Rastelli teria tentado justificar a situação dizendo que Glenda havia tentado suicídio, hipótese refutada pelas imagens das câmeras do condomínio e pela síndica, que só registraram a entrada e saída dele na residência.

Durante o relacionamento, a vítima foi alvo de chantagens, insultos humilhantes e manipulação constante. Carlos Ivan teria instalado escutas e rastreadores no carro de Glenda, a impedia de frequentar locais públicos e de manter contato com amigos e familiares, além de proferir frases como “se você não for minha, não será de mais ninguém” e “se estiver com outro, eu te mato e bato nela também”. Ele também é acusado de simular ser oficial do Exército e de portar armas de fogo, uma das quais foi usada para intimidar a vítima durante uma discussão com um amigo.

A violência patrimonial também fez parte do ciclo de abusos: segundo Glenda, Carlos Ivan a manipulava emocionalmente para ter acesso às suas contas bancárias e cartões, acumulando uma dívida superior a R$ 200 mil em seu nome. Ao tentar romper o relacionamento, ela era ameaçada de perder seus bens e ser difamada, sendo chamada de “golpista”, “louca”, “inútil” e “sem futuro”. O comportamento do agressor teria afetado profundamente sua autoestima, sua saúde psicológica e sua capacidade de exercer atividades sociais e profissionais.

Diante do cenário de medo, humilhação e dominação, Glenda solicitou medida protetiva de urgência, o uso do botão do pânico e o acompanhamento da Patrulha Maria da Penha. A denúncia chama atenção não apenas pela gravidade dos fatos, mas também pela posição de destaque que Carlos Ivan ocupa na gestão municipal, em um cargo de confiança do prefeito Abílio Brunini, seu parente direto. O caso expõe mais um episódio alarmante de violência contra a mulher envolvendo figuras ligadas ao poder público e exige resposta firme das autoridades.

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