O prefeito Abílio Brunini parece ter perdido o rumo da administração municipal. Ao propor a fusão de secretarias e “otimizar” recursos da Educação e da Mobilidade (Semob) para bancar despesas de Esporte, Cultura e até da recém-criada Secretaria de Segurança, o gestor entra em terreno perigoso. Especialistas em administração pública lembram que verbas do Fundeb, por exemplo, só podem ser aplicadas na Educação, e o Fundo da Semob tem destinação exclusiva para melhorias do trânsito. Qualquer desvio de finalidade pode ensejar responsabilização nos órgãos de controle e até ações judiciais por improbidade administrativa.
Na prática, Abílio não apenas criou novas despesas ao inventar uma Secretaria de Segurança Municipal – comandada por uma coronel – como também não cumpriu a principal promessa de campanha ligada ao setor: a criação da Guarda Municipal. Agora, ao fundir a Semob com essa pasta, pode incorrer em ilegalidades caso não observe a devida distinção orçamentária. A mesma lógica se aplica à ideia de unir Educação com Esporte e Cultura: ainda que as secretarias sejam fundidas administrativamente, os recursos permanecem vinculados e não podem ser remanejados a bel prazer do prefeito.
Ao insistir nessas manobras, Abílio corre o risco de transformar sua gestão em um caso clássico de desgoverno: sem planejamento, sem comando e sem rumo jurídico. O que especialistas alertam é simples de entender: dinheiro carimbado tem destinação certa, e qualquer tentativa de usá-lo para outras finalidades é ato nulo de pleno direito.


