O prefeito Abílio Brunini resolveu inovar na explicação — não na solução — para os alagamentos recorrentes de Cuiabá. Depois de anos apontando o dedo para gestões anteriores quando era vereador, agora, sentado na cadeira de prefeito, Abílio encontrou um novo responsável: o comércio. A narrativa muda conforme o cargo, mas a água continua subindo. Em vez de assumir a falta de política contínua de limpeza urbana e drenagem, a gestão prefere distribuir culpas externas, como se bueiro entupido fosse resultado exclusivo da atividade econômica e não da ausência de manutenção sistemática.
A ironia fica completa com o sumiço do famoso “cachorro robô”, anunciado no início do mandato como solução tecnológica milagrosa para limpar bocas de lobo — ao custo de cerca de R$ 2 milhões. O robô desapareceu da cena tão rápido quanto surgiu, após virar sinônimo de escândalo pelo preço incompatível com equipamentos similares disponíveis no mercado por valores irrisórios. Sem o cão high-tech e sem resultados práticos, sobra ao prefeito culpar comerciantes enquanto a cidade segue alagando. Cuiabá não precisa de desculpas criativas; precisa de planejamento, transparência e execução — três itens que não se compram em promoção.


