Enquanto a Prefeitura de Cuiabá alega falta de recursos e mantém o discurso de “calamidade financeira”, o prefeito Abílio Brunini acaba de autorizar a criação de 94 novos cargos comissionados — praticamente cem novos postos de livre nomeação — divididos entre a Secretaria de Educação, Cultura, Esporte e Lazer e a Secretaria de Desenvolvimento Econômico, Trabalho, Turismo e Agricultura. A medida consta dos Decretos nº 11.394 e nº 11.395, publicados na Gazeta Municipal de 21 de outubro de 2025, logo nas primeiras páginas do diário oficial .
Nos dois decretos, Abílio cria 58 cargos na Educação e Cultura e outros 36 na área de Desenvolvimento Econômico, em um momento em que ele próprio justifica cortes, atrasos e congelamentos salariais por falta de dinheiro. A decisão escancara a contradição de uma gestão que diz estar em crise, mas amplia o cabide de empregos políticos para aliados e apadrinhados.
A incoerência é ainda mais gritante quando se observa que o mesmo prefeito que alega “não ter dinheiro” para reajustar o salário dos servidores e melhorar a estrutura das escolas públicas, consegue abrir espaço no orçamento para bancar novas nomeações e reestruturar secretarias inteiras. O impacto financeiro dessa medida, somado aos encargos e benefícios, representa um peso considerável para os cofres municipais e compromete áreas essenciais como educação, saúde e infraestrutura.
O gesto, considerado um deboche pelos servidores e pela população, reforça o descompasso entre o discurso e a prática. Enquanto professores e servidores lutam por reajustes e melhores condições de trabalho, o prefeito segue aumentando a folha de cargos de confiança, ignorando a realidade de uma cidade com escolas sucateadas, buracos nas ruas e caos nos serviços públicos — a marca registrada da gestão Abílio Brunini.


