Na cerimônia de posse da nova secretária de Saúde de Cuiabá, Daniella Carmona, o prefeito Abílio Brunini protagonizou mais um momento digno de stand-up político. Ao tentar justificar a saída da ex-secretária Lúcia Drews, afirmou que, se houver desarmonia, vai “arrancar quem tiver harmonia”. Isso mesmo: quem for harmonioso demais que se cuide. A fala, carregada de contradição, confundiu até os mais pacientes intérpretes da lógica abilística.
É curioso ver o prefeito pregando harmonia quando sua carreira é marcada justamente pelo oposto. Desde os tempos de vereador e deputado federal, Brunini construiu fama de temperamento explosivo, debochado e frequentemente desrespeitoso com colegas e adversários. Agora, no papel de maestro da paz, soa quase cômico. Afinal, como esperar serenidade de quem sempre alimentou o caos como método de governo? A piada, no fim das contas, é achar que o problema da Saúde era a falta de harmonia — e não o excesso de Abílio.


