O prefeito de Cuiabá, Abílio Brunini, protagoniza um dos maiores escárnios administrativos recentes ao transformar a estrutura da segurança pública municipal em um aparato de proteção particular para si mesmo e toda a sua família. Em 29 de abril, ele levou pessoalmente à Câmara Municipal um projeto de lei em regime de urgência, aprovado no mesmo dia, que cria um esquema oficial de segurança pública para protegê-lo — junto com sua esposa, seus filhos, seu pai, sua mãe, seus irmãos, seus sogros, e até a vice-prefeita.
A justificativa? Supostamente, “aumentar a sensação de segurança da população cuiabana”. Mas, na prática, o projeto transforma policiais e servidores da segurança pública em guarda-costas exclusivos da família Brunini, enquanto os cidadãos seguem enfrentando assaltos, arrombamentos e abandono nos bairros. Quem precisa de segurança é a população — e não a sogra do prefeito.
A esposa de Abílio, vereadora com salário de quase R$ 70 mil mensais, agora passa a ter direito a segurança armada garantida por lei. O mesmo vale para o pai, a mãe e os irmãos do prefeito, que sequer ocupam cargos públicos. O texto do projeto abrange todos os parentes em linha reta de primeiro grau e seus cônjuges, numa verdadeira blindagem familiar com dinheiro público. É o Estado a serviço de um clã.
O prefeito, que se elegeu com o discurso de moralidade e austeridade, agora se lambuza nas benesses do poder. Como diz o ditado: quem nunca comeu melado, quando come, se lambuza — e em Cuiabá, a segurança pública virou melado de luxo para sogras, irmãos e filhos do prefeito, enquanto o povo paga a conta e continua desprotegido. A farra só veio à tona porque o ex-prefeito Emanuel Pinheiro denunciou publicamente a manobra em suas redes sociais, revelando o conteúdo da lei aprovada às pressas — um retrato fiel de como se governa para os próprios, e não para o povo.


