O prefeito Abílio Brunini conseguiu, mais uma vez, provar que coerência não é seu ponto forte. Quando se trata de defender a anistia para os golpistas de 8 de janeiro — aqueles que invadiram e depredaram o Palácio do Planalto, o Congresso Nacional e o Supremo Tribunal Federal — Abílio posa de garantista e defensor de liberdades. Mas bastou um grupo de moradores do Contorno Leste queimar pneus em protesto, sem destruir um único patrimônio público, para o prefeito subir no palanque da repressão e querer puni-los exemplarmente. Parece que o conceito de “direito de manifestação” muda conforme a conveniência do momento.
Perdido como “cego em tiroteio” na própria limitação intelectual e encenando um equilíbrio que nunca existiu, Abílio dá um triste espetáculo de dois pesos e duas medidas. O mesmo homem que defendeu quem atacou os Três Poderes agora se irrita com cidadãos comuns que apenas exigem atenção do poder público para seus problemas. Falta a ele não só coerência, mas também empatia e compromisso real com a democracia que diz proteger — quando lhe convém.


