Em declarações recentes, o prefeito de Cuiabá afirmou que a situação da saúde municipal estaria ligada, em parte, à participação considerada insuficiente do Governo do Estado no custeio e apoio aos serviços, especialmente na regulação de leitos de UTI, que segundo ele é “100% conduzida pelo Estado”. O gestor destacou que o município arca com despesas diárias por leito, mencionando valores pagos mesmo quando não há ocupação, enquanto o Estado remuneraria apenas os leitos efetivamente utilizados. Ele também agradeceu o repasse de cerca de R$ 20 milhões feito pelo governo estadual, ainda que, conforme relatou, o recurso tenha sido liberado apenas no início deste ano por entraves burocráticos.
As falas, porém, ampliaram a controvérsia ao tratar de outros problemas da cidade, quando o prefeito associou dificuldades urbanas, como a manutenção das ruas, a fatores sociais e econômicos, incluindo programas de transferência de renda. A postura provocou críticas de analistas e representantes da sociedade civil, que avaliam haver uma recorrente transferência de responsabilidades para outros entes ou circunstâncias externas, enquanto defendem que desafios estruturais de saúde e infraestrutura exigem planejamento, execução orçamentária eficiente e gestão direta do município, atribuições centrais da administração local.


