A lobista Luciane Hoepers, conhecida nacionalmente como “Loira do Crime” e apelidada como “Loira da Previdência”, chegou a se reunir com o então prefeito de Cuiabá, Chico Galindo (PTB), com o objetivo de convencê-lo a aplicar recursos do Cuiabá-Prev em fundos de investimento. Dilemário Alencar, à época, era aliado político de Galindo.
Os investimentos, segundo investigações da Polícia Federal, faziam parte de um esquema de fraudes operado pela quadrilha do doleiro Fayed Traboulsi. Apesar da tentativa, nenhum negócio chegou a ser fechado entre Cuiabá-Prev e os operadores do esquema.
O escândalo veio à tona com a deflagração da Operação Miquéias, em setembro de 2013. A ação da Polícia Federal revelou que o grupo criminoso havia desviado pelo menos R$ 300 milhões de fundos de pensão públicos em todo o país. A “Loira da Previdência” foi presa na operação, que teve ampla repercussão nacional por envolver lobistas, políticos e gestores públicos.
Desde então, o nome da lobista desequilibra o vereador Dilemário Alencar. O ex-prefeito Emanuel Pinheiro foi o mais recente a relembrar o episódio durante sessão da Câmara Municipal. Mas não foi o primeiro: anos atrás, o deputado Juca do Guaraná também jogou na cara de Dilemário o caso da Loira da Previdência, provocando reações exaltadas do vereador. Sempre que o assunto volta à tona, Dilemário perde o controle, foge do debate e evita qualquer cobrança sobre a responsabilidade que teve ao apresentar Luciane Hoepers a gestores públicos.
Esse fato foi tão grave e constrangedor que ainda hoje desequilibra o vereador Dilemário Alencar — que reage com fúria toda vez que é lembrado do episódio.


