O tão alardeado programa “Tolerância Zero” do governo Mauro Mendes parece ter outro alvo: os policiais de rua. A lista de promoções da Polícia Militar mostra que dos 30 nomes escolhidos, apenas 12 estão de fato nas ruas enfrentando facções e protegendo a população. Nenhum comandante do BOPE, ROTAM, Cavalaria, Trânsito, Ambiental ou das Forças Táticas — unidades que carregam o combate no nome e na prática — foi incluído na concorrência ao posto de coronel.
Num estado sufocado pela violência, Mendes prefere premiar oficiais de gabinete, próximos do poder e distantes da realidade das comunidades. Ironia cruel: no governo que se diz “de combate às facções”, quem arrisca a vida contra o crime organizado não tem oportunidade de ascensão profissional, enquanto os protegidos do ar-condicionado sobem de patente. O “Tolerância Zero” virou tolerância máxima com privilégios e apadrinhamentos.


