Somente no final do mandato, o governador Mauro Mendes (União Brasil) anunciou a criação de um gabinete de enfrentamento à violência doméstica — uma resposta tardia depois de anos de descaso com a pauta. O gesto vem após declarações polêmicas em que o próprio governador afirmou que “não é doloroso” uma mulher de Várzea Grande ter que ir até Cuiabá para buscar atendimento, pois abrir delegacias especializadas teria “custo alto”, e que “não há como colocar um policial ao lado de cada mulher”.
A criação do gabinete ocorre no momento em que Mato Grosso é, pelo segundo ano consecutivo, o estado com maior índice de feminicídios do Brasil, segundo o Fórum Brasileiro de Segurança Pública, vinculado ao Ministério da Justiça. Dados do Observatório Caliandra, do Ministério Público de Mato Grosso, revelam que já são 45 mulheres assassinadas em 2025 — praticamente o mesmo número de 2024. Enquanto o governo destinou bilhões ao Parque Novo Mato Grosso e milhões à propaganda institucional, a proteção das mulheres só entrou na pauta quando o mandato de Mendes se aproxima do fim faltando 110 dias.


