O governador Mauro Mendes parece ter um talento especial: o de se reinventar conforme a direção do vento político. Até outro dia, estava na Avenida Paulista, ao lado de Bolsonaro, fazendo gestos que lhe renderam processos do Sindicato dos Jornalistas. Agora, com a queda brusca do ex-presidente, Mendes resolveu subir o tom contra o próprio filho de Bolsonaro, como se nunca tivesse se ajoelhado aos pés do capitão.
Não é a primeira metamorfose do governador. Antes, já se arrastou atrás de Dilma Rousseff, correu para estar perto de Marina Silva, buscou com olhos marejados a atenção de Lula e tentou colar eternamente em João Doria — quando, aliás, ganhou o apelido de “Dória pantaneiro”, por desfilar com calças justas e a ambição ainda mais apertada.
Oportunismo é apelido carinhoso para Mauro Mendes. No cenário nacional, é quase um desconhecido; dentro de Mato Grosso, vem sendo desmoralizado dia após dia. Enquanto tenta posar de gigante no ringue político, o governador não percebe que sua imagem, marcada pela incoerência e pela conveniência, já virou motivo de chacota — e isso, convenhamos, é um título que ninguém gostaria de ostentar.


