A influenciadora Giselly Fortes expôs nas redes sociais uma confraternização fechada da Secretaria Municipal de Educação, realizada durante o expediente, com cerveja, palco de show musical e acesso restrito a servidores escolhidos. Nas imagens, aparecem dezenas de latas de bebida alcoólica, estrutura profissional de som e até carro oficial nas proximidades do evento, realizado enquanto as escolas municipais seguiam funcionando normalmente. Professores e diretores — a linha de frente da educação — ficaram de fora. A Prefeitura alegou, em nota considerada frágil, que se tratava de uma “apresentação de resultados” seguida de “valorização dos servidores”, mas a seleção de convidados e o horário chamaram a atenção pela falta de coerência administrativa.
O episódio reacende uma contradição incômoda: o mesmo Abílio Brunini que, em 2019, invadiu uma repartição pública ao lado do então vereador Diego Guimarães para denunciar servidores que faziam um churrasco no expediente — gesto que lhe rendeu capital político e até a exoneração de uma funcionária — agora silencia diante de uma farra autorizada por sua própria gestão. A crítica de Giselly vai direto ao ponto: se ontem Abílio usava casos assim para posar de fiscal da moralidade, hoje fecha os olhos quando a festa beneficia sua equipe mais próxima. É a velha lógica dos dois pesos e duas medidas — comportamento que corrói a credibilidade de qualquer gestor público.


